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Adriana Cinza's avatar

Vou ser totalmente honesta. Desconhecia completamente a existência deste debate até começar a ver publicações pelo substack sobre o tema. Faço parte de uma comunidade/ círculo que discute política com base na ignorância. Em minha casa, a televisão está sempre ligada na SIC. Tudo o que acontece nos restantes media é pura e simplesmente ignorado. Para procurar educar-me, tento consultar alguns portais de notícias; mas é sempre com desinteresse. Não fui habituada a manter-me a par dos pequenos acontecimentos políticos que pouco alteram a rotina ou a ordem das coisas; e também não faz parte da minha personalidade. Devo acrescentar que tenho pessoas muito próximas a mim que votam no Chega e que não ligam a esse tipo de notícias e acontecimentos, escolhendo seguir determinados influenciera e sites duvidosos em que a informação é filtrada. Isto para dizer o quê? Que infelizmente, no meio em que vivo, isso que debates e refletes com grande pertinência fica alheio à maioria das pessoas.

Maria Luísa's avatar

Imagino que sim e, como disse noutro comentário anterior, suponho que a maior audiência do debate em causa foram democratas já convertidos e politizados, mas há uma coisa que não podemos ignorar: o que se passa nas redes sociais salta para a televisão e vice-versa. :)

Orson Reles's avatar

"Custou ver, e nisso parece haver consenso. Mas o que mais me inquieta é outra coisa: em que momento é que desistimos de defender a democracia? Porque foi isso que José Pacheco Pereira foi fazer àquele debate, pelo menos é assim que vejo. Não foi para brilhar. Foi para responder, para não deixar sem contraditório."

Compreendo, mas discordo da possibilidade de fazer alguma diferença ir lá debater. É inútil debater com este tipo de gente oportunista que quer o poder pelo poder e é capaz de dizer tudo e o seu contrário, porque tem a garantia de uma base de apoio onde os Miguéis Carvalhos desta vida insistem em ver complexidade e indignação muito válida, mas onde nunca encontrei mais do que racismo, xenofobia, fascismo ignorantão, e mesquinhez on crack. É que esta base não muda de opinião porque o que obtém do Mussolasno é a validação do pior do seu carácter.

Também não me enquadro no espectro político de JPP, mas tenho muita consideração pelo senhor. Lamento muito tê-lo visto a chafurdar na lama e não duvido de que a intenção dele fosse o oposto.

Queria ser grande como Antonio Gramsci e manter o optimismo da vontade para contrabalançar o profundo pessimismo do intelecto. Mas já passei esse Rubicão do desespero porque só tenho amor ao povo pobre e desvalido (o mesmo que sei que me mataria a fome se me visse na miséria), e não tenho vocabulário para exprimir a dor que é ver esse meu amado povo amesquinhado por décadas de propaganda beoliberacha a hiperbolizar-lhe o que tem de pior (mas conveniente aos interesses do Capital) e a convencê-lo da mentira mais vil: de que é composto de indivíduos em competição em vez de seres humanos em cooperação.

Maria Luísa's avatar

Eu percebo isso tudo e estamos mais em acordo do que desacordo. Mas então o que é que podemos fazer? Deixamos que esse discurso ocupe o espaço todo sem contra-argumentar? Eu lamento que neste tipo de debates, quando não há respeito, não se desligue o microfone a quem não cumpre as regras de urbanidade. Porque entre um debate que na realidade não é um debate e uma conversa em que cada um fala na sua vez quando tem direito a usar o microfone durante o tempo que tem, eu prefiro a segunda opção. Num debate como o que está em causa eu nem espero obter qualquer esclarecimento, mas em debates eleitorais tenho interesse em ouvir o que cada candidato defende, nem que seja para concluir que discordo. Mas voltando ao sucedido, também lamento que tenha sido assim, mas continuo a achar que PP fez muito bem em lançar o desafio pois marcou uma posição e não teve medo de sujar os sapatos. É verdade que meteu os pés na lama, mas não sujou as mãos. O resultado não foi surpreendente, mas admiro a intenção e a atitude, mesmo suspeitando que a maioria das pessoas que viram este debate nem são as que precisavam de esclarecimentos históricos. Acho que quando era necessário ignorar não o fizemos e agora já entrámos numa fase em que ignorar já não resulta.

Orson Reles's avatar

Acho inútil oferecer o tal contraditório porque as pessoas decentes não vão na cantiga de elogios ao Estado Novo nem no branqueamento do colonialismo e da PIDE. A base do Mussolasno é como a do Trump: imune a factos.

Quanto ao formato: tudo o que não passe por cortar o micro e garantir distância/isolamento sonoro q.b. para impedir interrupções e berraria me parece um desgaste absurdo para quem não seja um mal educado em modo herói de snack-bar.

Eu sei o que o JPP tentou fazer. Respeito o senhor, mas não me parece que tenha sido boa ideia aceitar o debate sem aquela condição de cortar o pio ao mal educado.

Sérgio Ferro Dionísio's avatar

Também li vários textos de pessoas que acham que o Pacheco Pereira não devia ter debatido com o AV. Por um lado não se deve deixar a falar sozinho e a propagar mentiras e desinformação, por outro não se deve "fazer o jogo dele" ao aceitar debater com ele. Então ficamos em quê?? Pois eu acho que o Pacheco Pereira fez muitíssimo bem e senti-me representado como pessoa que se interessa e lê sobre a história de Portugal. Não foi bonito? Paciência! Os debates não servem para fazer concorrência ao Got Talent Portugal em horário nobre. Além de toda a gritaria mal estaremos quando não conseguirmos distinguir ruído de informação num debate entre um historiador e um troca-tintas.

jorge f. marques's avatar

O problema, e aqui deixo os meus dois tostões, não é o PP ou qualquer outro debaterem com aquele imbecil. É continuarem a fazê-lo no seu território. Na lama. Num local e espaço que o privilegia. Com as suas próprias regras. Critico a CNN e qualquer outro canal que não saiba fazer o básico, cortar o microfone. Impedir a interrupção.

Imaginem por um segundo um debate num anfiteatro com gente convidada. À americana. Com regras de facto. Sem espectáculo. Isso sim seria de valor.

Não há uma solução fácil, mas este modelo é feito para os aventuras desta vida.

Sérgio Ferro Dionísio's avatar

As televisões querem "sangue" para ter a maior audiência possível e não sei se a picareta falante aceitaria debater nessas condições. Qualquer pessoa com bom senso iria perceber que só lhe ficava mal não aceitar debater de forma mais civilizada mas os seus apoiantes iriam apoiá-lo sempre na decisão de recusar esses modelos de debate. Entendo o que dizes e acho sinceramente que tens razão mas continuo a achar que enquanto não houver outra forma vai ter que ser mesmo na pocilga. Não pode é ser à Francisco Rodrigues dos Santos, tem de ser à Rui Tavares. Sempre com factos como o Pacheco Pereira fez, ou tentou fazer...

jorge f. marques's avatar

Provavelmente não aceitaria. E para o comum dos mortais ficava a resposta dada. Poupava-se os inúmeros minutos de tiktok. Os fiéis não contam para esta conversa, pois para esses é assim quese fala. Na tasca, com a universidade da vida. Há muito que digo que temos de começar a encurralar estes idiotas na sua pocilga e tratá-los pelo que são. Ressabiados. Isto não se faz no jogo deles. Está viciado.

Mas voltando ao início. No meu caso não é crítica que faço a PP. É mais um "e tu Brute?" Não havia necessidade.

Maria Luísa's avatar

Eheh, por acaso, agora fugindo da seriedade, pois isto tudo é muito complexo e, apesar de haver várias teses sobre os cheganos desta vida, não estou convencida de que sejam assim tão homogéneos, giro, giro era metê-los todos (aos líderes) num reality show numa ilha, Andrés, Trumps e outros acólitos incluídos. Não sei, assim a ver se implodiam. Quem gosta de dar e ver espetáculo romano ficaria satisfeito, no meio as televisões poderiam passar os anúncios de imobiliárias, etc., e voltar-se-ia a tratar de assuntos sérios em programas para o efeito. Ou seja, cada macaco voltava para o seu galho (ai tão elitista que fui agora). É que já não se aguenta.

jorge f. marques's avatar

E com ou sem brincadeira te digo, está na altura de dizer que ser elitista não é por si só um defeito. Muito menos quando se trata de escolher os "melhores de nós", aqueles que nos representam. Com tanto receio de ofender, deixámos esta gente transformar a nossa casa maior num circo. Já é um reality show.

E sobre os cheganos a única coisa que estou convencido é do seu ressabiamento, falta de empatia e profunda estupidez. É escatológico. E sim, é comum a todos.

Sérgio Ferro Dionísio's avatar

Um país sem elites, entregue a estes borra-botas, está condenado ao fracasso.

Maria Luísa's avatar

Tenho a mesma opinião. Não se pode fazer A, nem B, então não se faz nada e diz-se umas frases que atualmente já não fazem sentido como “não passarão”. Mas já passaram. Ainda bem que ainda há alguém que tenta fazer alguma coisa com o poder que tem. Pelo menos tentou. De cinismo está o espaço mediático cheio.

Sérgio Ferro Dionísio's avatar

E há outro aspecto ainda que acho muito curioso quando se fala do AV ou do Chega. Para muita gente, tudo os beneficia! Absolutamente tudo!

Debate-se contra AV? Isso beneficia-o. Não se debate contra AV? Isso beneficia-o. Perde-se a cabeça e responde-se na mesma moeda? Isso beneficia-o. Mantém-se a compostura e a frieza durante o debate? Isso beneficia-o.

Acho uma tese absurda de quem parece ter desistido de combater esta peste.

Mário Carvalho's avatar

O espaço que mereceu aqui este PP que apareceu aqui com o pretexto de falar do marginal Ventura!

Maria Luísa's avatar

Não percebi. Mas o meu objetivo nunca foi falar de Ventura.

Mário Carvalho's avatar

Mas eu também não falo deste PP… Mas o pretexto que eles tinham, funcionou!

Maria Luísa's avatar

Com todo o respeito, continuo sem perceber o que está a dizer.